Receita de Twitter


Foto: Dirceu Garcia/Comércio da Franca' (...) fiquei achando que o gosto final poderia ser excessivamente doce, diante da soma de três açúcares'‘ (…) fiquei achando que o gosto final poderia ser excessivamente doce, diante da soma de três açúcares’

O caderno Paladar, do jornal O Estado de São Paulo, instituiu concurso para premiar leitores que enviassem por Twitter receitas culinárias de qualquer tipo, salgadas ou doces. Uma receita em 240 caracteres? Imaginei que seria estratégia para despertar o interesse de jovens leitores com gosto por culinária. Ou para identificar este segmento, vai-se saber. Bom, de certo é que chegaram aos terminais de computadores da redação cerca de 700 nomes, o que considerei pouco. Mas é sempre uma abertura para a reflexão. Será que jovens não gostam de cozinhar? Só jovens tuitam? Condensar uma receita a tal ponto não é muito difícil?

Por tuitada o sujeito tem de ser extremamente sintético mas também muito claro. Em se tratando de culinária, onde o modo de fazer não pode ficar elíptico, sob o risco de pôr a perder os ingredientes e o tempo do cozinheiro, isso significou um grande desafio. Dos 700 ousados participantes, ganhou o autor da receita que hoje reproduzimos neste espaço. Paulo Pesce assim enviou sua receita: “ Picar 3 peras, 3 goiabas, 3 maçãs. Cobrir com 75 g açúcar mascavo, 50 g refinado, 125 ml mel, 250 ml suco laranja. Assar 30 minutos.”

Tentada a experimentar, fiquei achando que o gosto final poderia ser excessivamente doce, diante da soma de três açúcares. Não seria demais? Foi portanto uma surpresa atestar que não. Muito pelo contrário: a vontade é de repetir, tão bom me pareceu, principalmente no dia seguinte, depois de algumas horas na geladeira. O suco cítrico contrabalança as doçuras demasiadas e a mistura redunda numa calda quase fresca, com notas levemente ácidas e um perfume suave. Os pedaços de maçã e pera permanecem crocantes, a goiaba tem o sabor acentuado. Como o internauta não explica nos poucos caracteres se devemos descascar as frutas ou não, experimentei dos dois jeitos. Fiz as duas opções e concluí que é melhor deixá-las com casca, inclusive as goiabas. A textura fica mais firme. Mas retirei as sementes.

Quanto ao aspecto, é o único ponto desfavorável desta sobremesa. Não é nenhuma Brastemp. Eu, que prezo a boa apresentação dos pratos, imitei o pessoal do Paladar e usei uma taça de cristal para acolher a compota, como se pode ver na ilustração. Ficou bem parecida com a que me inspirou. Mesmo assim, achei que seria melhor usar bol transparente que desse visibilidade à calda que tem cor bonita, caramelada. Também me ocorreu que não faria mal algum servir com um tantinho de chantilly ou com uma bola de sorvete de limão.

A economia desta receita não está apenas na comunicação verbal do ganhador do prêmio. Ela tem custo baixo e consome pouco tempo. Até os mais inábeis são capazes de fazer. Basta escolher boas frutas, lavar, enxugar, cortar e retirar as sementes, picar em pedaços médios, colocar no refratário e cobrir com os açúcares, o mel e o suco. Atenção para as quantidades. Elas são decisivas para o bom resultado final. Use medidores, descarte o olhômetro.

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