Bolo de Natal


Foto: Dirceu Garcia/Comércio da Franca

Frutas cristalizadas na massa e geleia na cobertura fazem do bolo prato de celebração natalina

Sônia Machiavelli

Editora

Determinar a origem da palavra bolo pede obrigatoriamente uma passagem por bola, da qual deriva . E o substantivo bola por sua vez é transformação de bulla, bolha. Tudo a ver com formas arredondadas. De como bola chegou a bolo já será um outro longo capítulo com muitas interrogações. De certo mesmo é que há centenas de anos bolo é iguaria que colocamos na mesa quando queremos celebrar algum feito ou data. Especialmente aniversários : por mais modesta que seja uma família, sempre se haverá de economizar para um bolo onde plantar velinhas acesas, lembretes de anos vividos. Ao menos enquanto dura a infância, é uma alegria apagar as chamas e acender desejos.

A forma mudou muito. Se no início era redonda, foi se modificando de acordo com a engenhosidade humana que criava vasilhas quadradas ou retangulares e depois, já no começo do século passado, a clássica circular com buraco no meio, de alumínio, que deveria receber prêmio de design moderno e funcional. Nada mais clean e perfeito para assar por igual e desenformar sem problemas. Hoje há no mercado uma variação muito grande de assadeiras que remetem a corações, flores, figuras geométricas e até árvore de Natal. Mas para a data cristã prefiro a redonda, porque acho que o círculo é traçado perfeito. E emblemático pelo que condiciona pensar: coisas infinitas, que recomeçam onde terminam.

Se ao redor do bolo nos reunimos para cantar parabéns aos que completam mais um ano de vida, como não pensar em um especial para homenagear o nataliciante do dia 25 de dezembro? É verdade que o panetone, onipresente na receita clássica com massa seca e frutas, gosto de baunilha, ou na contemporânea, com gotas de chocolate, vem fazendo as vezes do antigo bolo natalino. Mas também é inegável que um bolo artesanal, elaborado na cozinha de nossa casa, impregnando com seu perfume os ambientes, traz um conforto que gratifica corpo e alma. Porque ao sentir seu aroma seremos lembrados de que nele estão embutidos o doce do açúcar, o amadeirado das frutas secas, o cítrico das cristalizadas, mas também aquele cheiro inconfundível das massas que levedam. Talvez aí também resida a sua magia.

Como o pão, de quem é parente próximo, traz implícito em seu conteúdo a ideia de crescimento e transformação. Esse pensar é essencial no momento em que nos voltamos para um menino recém-nascido envolto em panos numa manjedoura forrada com palhas, trazendo a mensagem de renovação a todos os que nela acreditam.

Para a massa usei os ingredientes básicos: farinha de trigo, açúcar, ovos, fermento, pitadinha de sal. Em lugar de leite de vaca, creme de leite. Muitas frutas foram acrescentadas: além das cristalizadas, embebidas em rum, que entraram na massa, fiz a cobertura com geleia de damasco, e finalizei com lâminas de amêndoas e cereja ao marasquino. Mas bastaria uma camada de açúcar de confeiteiro para dar leveza ou de canela para perfumar mais ainda.

Quem bate a massa decide a decoração. E cada família tem seus gostos e estilos a serem respeitados para que todos se sintam felizes na noite que deve ser de paz.

Siga o passo a passo observando bem as medidas. Se não tiver rum para umedecer as frutas, use uísque, cachaça, qualquer destilado. Se não houver frutas cristalizadas, empregue nozes ou castanhas picadinhas. Se sua forma não for redonda, lance mão de qualquer outra. Este é um bolo mágico, que se for preparado com carinho sempre ficará bom.

(clique para ampliar)

 

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