Arroz de forno


A Bíblia não faz nenhuma referência ao arroz. Os papiros dos antigos egípcios também não o mencionaram. Muito menos os textos gregos que chegaram aos pósteros como vasto relato de uma era de epopeias. Os romanos deixaram alguns registros que nos levam a supor que o cereal era o caviar da elite na época: raro e caríssimo. Mas no Oriente, durante o período conhecido na China como Império do Meio, já era alimento vital para a população. As safras reduzidas por pragas ou más condições ambientais desencadeavam problemas difíceis para os governantes.

Nesta altura o leitor pode estar pensando no risoto que tornou a Itália conhecida pelos pratos produzidos com um tipo de grãos curtinhos. Mas este só aparece na culinária mediterrânea depois do século XV, o que autoriza a tese dos pesquisadores que atribuem aos árabes a difusão do arroz na Europa. Foram eles que o levaram em primeiro lugar para a região espanhola conhecida por Andaluzia, onde permaneceram oito séculos. Depois ele se espalhou por toda a Península Ibérica, e, com o trânsito dos viajantes, pela Europa inteira.

À América custou a chegar, pois a ambição desmedida dos conquistadores os cegou de tal forma que seus objetivos, por bem mais de um século, estiveram centrados somente na extração de nossas riquezas, sem pensar na introdução de outras culturas. Natural então que o primeiro lugar onde o semeassem fosse a Carolina do Sul, colônia dos Estados Unidos, em 1694. Este país, diferentemente do nosso, foi colonizado por famílias que buscavam vincular-se à terra para criar seus filhos, ao contrário dos condenados e degredados que constituíram o grosso dos portugueses aqui desembarcados no primeiro século pós-descobrimento. As terras pantanosas, o clima úmido, as facilidades de irrigação nas Américas Intertropicais foram fatores decisivos para a adaptação e a expansão dos arrozais. No Brasil ele aportou com os imigrantes do Sul no final do século XIX, rapidamente passando a fazer parte da dieta do brasileiro.

Hoje é indispensável listar entre os pratos do trivial de nossa gente o arroz-com-feijão, combinação perfeita segundo os nutricionistas.

O arroz de forno é receita antiga, vinda das fazendas, das festas de casamento no Brasil rural, até há pouco tempo carente de quase tudo. Mas havia o arroz, as carnes, a banana que sempre esteve presente, o queijo meia cura e os ovos. Tudo misturado e levado ao forno constituía prato importante das reuniões de celebração. Com o tempo, o prato foi se renovando, incorporando o molho de tomates que os italianos ensinaram a preparar e as ervilhas que o processo de industrialização nos apresentou enlatadas em meados do século passado. Não há uma receita única de arroz de forno, mas várias, todas diretamente relacionadas ao grau de criatividade de quem as perpetra. Em tempo: é um ótimo recurso para aproveitar sobras.

O nosso levou molho de tomates, ervilhas e cheiro verde, banana frita, queijo mineiro ralado e muçarela fatiada. Usei a banana marmelo, mas pode ser a da terra e até a nanica. Siga os passos, não há possibilidade de errar.

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