Busiate al pesto trapanese


Foto: Dirceu Garcia/ Comércio da Franca

Sônia Machiavelli

Editora

“Não há plantas boas para a comida que não o sejam também para a cura.” – Umberto Eco ( 1932) escritor, filósofo, linguista

Separada da Itália peninsular pelo Estreito de Messina, apenas três quilômetros de mar, a Sícilia é importante ilha do Mediterrâneo. De forma triangular, tinha na antiguidade o nome de Trinacria. E antiguidade, quando se fala de Sícilia, é pensar em coisa de 2 mil anos antes de Cristo. Devido à sua posição geográfica, exerceu por séculos papel importante nos eventos históricos que tiveram por protagonistas os povos da região. Foi lugar disputado, entre outros, por Roma e Cartago, adversárias ferrenhas nas famosas Guerras Púnicas, que já inspiraram pintores, escritores, cineastas. A sucessão de múltiplas civilizações pode ser vista em construções que desafiaram o tempo: templos e teatros, sítios arqueológicos, palácios barrocos, igrejas com suas cúpulas a recontar histórias. E pode ser atestada a todo momento nos hábitos, na língua, na mesa, naturalmente. A culinária de um povo reflete todas as influências aglutinadas em identidade ao longo de lento processo de experimentação, aceitação, transformação. O busiate al pesto trapanese é bem um exemplo disso. Trapanese é o adjetivo correspondente a Trapani, porto siciliano onde atracavam navios genoveses vindos do Oriente. Os marinheiros deles desembarcados traziam notícias de pratos diferentes, de combinações até então inusitadas, e que experimentadas deram tão certo que se transformaram em prato típico. Este que hoje apresentamos na página passou a ser o que reunia, aos tradicionais manjericão de perfume pronunciado, alho de sabor ardido, tomate de vermelho intenso e azeite de excelência, o aroma doce das amêndoas, ingrediente comum na gastronomia árabe. La pastasciuta já havia então imposto sua hegemonia à mesa desde que, finita a terceira Guerra Púnica, os romanos transformaram a ilha em gigantesca produtora de trigo. Com pasta e molho de qualidade, o prato ganhou a ilha, atravessou o Estreito de Messina, conquistou toda Itália e brotou auspicioso nos cardápios de muitos restaurantes de qualidade ao redor do mundo, sempre a lembrar que “i profumi della Sicília impregnano il cuore para sempre; e basta poco a risvegliarli”.

Em Trapani o prato é feito com uma massa chamada busiate, tipo de fusilli comprido. Produzida com grano duro, fica naturalmente al dente quando cozida por 15 minutos numa proporção de 100 gramas de massa para um litro de água fervente e uma colher de sobremesa de sal. Enquanto a água do macarrão aquece, faça o molho, que não vai ao fogo, é do tipo cru. Mas antes pele os tomates, retire as sementes, pique em cubinhos e deixe em peneira para escorrer no mínimo meia hora. As amêndoas também devem ser peladas, o que é fácil. Basta mergulhá-las em água fervente por três minutos e depois esfolá-las entre dedos. A película sai rapidinho. A tradição siciliana aconselha o uso do pilão para esmigalhar as amêndoas e preparar o pesto. Se achar difícil, use o processador. Reserve a farofa de amêndoas. No pilão (ou processador) macere manjericão, alho, sal e metade do azeite. Numa vasilha coloque esta mistura de manjericão, os tomates picados, as amêndoas trituradas e o restante do azeite. Acrescente uma concha da água em que foi cozida a massa e mexa bem. Coloque sobre o busiate recém-escorrido, rale por cima um pedaço de queijo tipo pecorino ou parmegiano e sirva-se. É muito bom.

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Um pensamento sobre “Busiate al pesto trapanese

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