Bolo de fubá de moinho de pedra mó


    Talvez se deva explicar aos jovens e aos que só vivem nas cidades que mó é um par de pedras circulares que formam o coração do moinho e transformam grãos em farinhas

Nas últimas semanas, sempre que entrava na minha cozinha, e olhava o presente que Ivone havia me dado, me vinham à memória uns versos de Mônica San: “Escorre a saliva e seca/ entre garranchos e pedras/ fica no pó do caminho// pedra de mó que amola/amola, amola, amola/água no moinho// que só /corre, escorre e tenta/ desfazer um nó”… O motivo da reação? É que eu lia no rótulo do pacote inspirador de lembranças líricas a frase: “fubá de moinho de pedra mó”.

Mas que diferença haverá entre este fubá e o que se compra no supermercado? O fubá de moinho de pedra mó é artesanal, tem um gosto mais intenso de milho, pois os grãos são esmagados sem acréscimo de nenhum conservante; também é mais espesso que os industrializados. Há poucos desses moinhos na nossa região. Talvez se deva explicar aos jovens, e aos que só vivem nas cidades, que mó é um conjunto de duas pedras circulares, grandes, bem duras, e de altura pequena, que formam o coração do moinho. A base, ou mão-de-mó, é fixa, não se move. Acima dela fica a pedra de moer. Esta é que, na verdade, realiza a moenda quando, tocada pela água em movimento, se choca contra a mó (evolução da palavra latina mola, moinho), produzindo um ruído característico que os ouvidos urbanos talvez já não sejam capazes de sentir em toda sua essência de simplicidade. O povo, especialmente o mineiro, na sua sabedoria que destaca metáforas das coisas mais prosaicas, criou a expressão “estar na mó de baixo” para traduzir situação de privaçã
o, em oposição a “estar na mó de cima”, para retratar uma fase de abundância. A presença de mós e mãos-de-mós em sítios arqueológicos da Terra Brasilis constitui vestígio do processamento de grãos de cereais pelos primeiros habitantes.

Bom, então eu estava pensando no que fazer com o meu presente: polenta? broa? escaldado? Vieram as festas juninas, com seus pratos típicos, e eu me empolguei. Escolhi fazer um bolo. Mas que tipo de bolo? Temos tantas receitas de bolos de fubá em nosso país que renderiam um livro. Há quem os prefira úmidos e baixinhos, levados ao forno em assadeiras. Tem quem goste deles fofinhos e mais secos, em forma redonda de buraco para cortar gordas fatias. Tornou-se muito comum um bolo que se divide ao meio, ficando na parte de baixo da forma a massa mais espessa e na de cima uma mistura cremosa que trai a presença do queijo. Entre uns e outros o coração balançava, até que minha secretária Michelle me brindou com maravilhoso pedaço de bolo de fubá que havia feito em sua casa. Fofinho sem esfarelar, perfumado que só cheirando, textura homogênea e bela de se ver, um crocante muito especial. Segredinho da Michele: em lugar de polvilhar a forma untada com farinha, ela havia usado açúcar cristal. Fez grande diferença em rela
ção aos que eu já havia experimentado na minha vida. Não tive dúvidas: optei por usar o fubá da Ivone na receita da Michelle. Achei que o resultado ficou ótimo. O melhor da história: é facílimo de fazer, basta ter um liquidificador e colocar na ordem indicada os ingredientes.

Comece por ligar o forno, que deve estar quente quando você terminar de bater a massa. Em seguida, unte a forma com óleo e polvilhe açúcar cristal. No copo do liquidificador coloque os ovos, o óleo e o leite. Bata por três minutos. Desligue, junte o açúcar, bata por mais dois. Volte a desligar, agregue a farinha e o fubá, bata por outros três. Por fim acrescente a pitada de sal e o fermento em pó e bata mais dois. Quem disse que não se deve bater o fermento? Pelo menos no caso deste bolo, nada a obstar, pois fica perfeito. Aí é colocar na forma, levar ao forno e esperar assar, o que leva no máximo trinta minutos. Faça o teste do palito, retire do forno, desenforme morno, sirva com café passadinho na hora. Ah, sim, o fubá não precisa ser necessariamente o de moinho de pedra mó.

Ingredientes

1 xícara (chá) de fubá (não precisa ser de moinho de pedra mó)
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de açúcar refinado
1 xícara (chá) de óleo
1 xícara (chá) de leite
4 ovos
1 pitada de sal
1 colher (sobremesa) de fermento em pó
Óleo para untar
Açúcar cristal para polvilhar a forma

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