Entrada para dois


Pão tostado+ tomates em cubinhos+ azeitonas picadinhas+ folhas de manjericão rasgadas+ azeite de oliva = bruscheta revisitada no copo

Sonia Machiavelli

Editora

‘‘A inspiração para um prato pode vir de um bate-papo, um livro, um sabor – qualquer um deles pode plantar uma semente.”

Marcus Wareing, londrino, ganhador de uma estrela Michelin aos 25 anos

Não é todo prato desconstruído que me agrada. Aquele quadro que o Fantástico levou ao ar, e não sei se ainda permanece, exibindo o chefe exibido que desconstrói tudo, até vatapá, serviu para que fossem reafirmadas em mim as antipatias sobre o assunto. Mexer em pratos que têm tradição, e conquistaram gourmets e público por serem como são, não faz sentido.

Mas desconstruir mantendo o conceito, mudando a forma sem descaracterizá-la, disso eu gosto porque é desafiante transformar para permanecer. E foi por essa razão que adorei a sugestão da chef Rita Lobo, ainda no livro Panelinha- receitas que funcionam, composto a partir do blog de mesmo nome. Ela propõe uma bruscheta para servir num copo, pequeno se for como aperitivo, maior se for entrada.

As bruschetas, muito comuns na Itália pobre, que as criou para aproveitamento do pão velho, ou amanhecido, ganharam o mundo inteiro. Estão hoje em alguns restaurantes estrelados e com certeza em todas as cantinas e tratorias do mundo no seu jeito tradicional: rodelas de pão levemente tostadas, cobertas com tomates, azeitonas pretas e manjericão, tudo irrigado por fio de azeite. Nunca ouvi alguém dizer que não gosta.

Rita fez o que se segue, com sua imaginação de artista da culinária. Cortou em cubos bem pequenos fatias de pão de forma integral e os tostou no forno. Antes de fazer isso, deixou as fatias no congelador por vinte minutos. Assim, ao cortá-las, estavam firmes, não se espatifaram. Cozinha é detalhe. Depois, passou os tomates pela água fervente, deu-lhes um choque térmico deitando-os em caminha de gelo, cortou ao meio, retirou peles e sementes, espalmou sobre tábua de carne até virarem disco e assim poderem ser cortados em cubinhos uniformes. Mais detalhes, não tão pequenos. As azeitonas pretas graúdas passaram por processo parecido, sendo transformadas em tiras. Por fim, a erva-símbolo dos italianos, o manjericão, que em alguns lugares da bota é praga: depois de os galhos terem sido lavados em água corrente, deles se retiraram os brotos para a finalização, sendo as folhas rasgadas para liberar as moléculas de cheiro, aquele tão bom perfume reconhecível à distância.

Estando tudo bem cortadinho, misturaram-se em tigela grande os pedacinhos dessas coisas gostosas, em seguida regadas com azeite da melhor qualidade e polvilhadas com pimenta-do-reino. Antes de temperar com sal, a chef provou um bocadinho, pois como azeitona é salgada, não se pode arriscar. Temperança e cautela são bens importantes na cozinha, como o caldo de galinha.

Bem, aí chegou a vez de exibir o conteúdo no vidro transparente. Colocada em copos, as bruschetas foram arrematadas pelos galhinhos de manjericão reservados. Mostraram-se coloridas, cheirosas, elegantes, muito apetecíveis. A quantidade de ingredientes listados nesta página é suficiente para dois copos grandes ou duas taças usadas para servir vinho tinto. São duas entradas para um casal saborear num final de tarde quente, como se mostram os últimos dias de agosto no Brasil.

Ingredientes
4 fatias de pão de forma integral
20 azeitonas pretas sem caroço
8 raminhos de manjericão fresco
4 tomates médios bem vermelhos
8 colheres de sopa (rasas) de azeite de oliva
Sal e pimenta-do-reino a gosto

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