Torta de Maçã


(Fonte: Dirceu Garcia / Comércio da Franca)

(Fonte: Dirceu Garcia / Comércio da Franca)

“Se você não é capaz de um pouco de bruxaria, não vale a pena ir para a cozinha.”
Collette, escritora francesa (1873-1951)

Dos tempos de Adão e Eva a nossos dias, a maçã é fruto carregado de história e simbolismos. Na Bíblia, mais exatamente no livro de Gênesis, é depois de morder uma maçã que o primeiro casal foi expulso do paraíso. Associada ou não ao pecado original, e ao ato sexual, o fruto apareceu em milhares de obras de arte, das textuais às plásticas. No ciclo das novelas que têm o rei Artur como protagonista, a ilha de Avalon é famosa por suas macieiras. Um dos contos de fada mais antigos traz Branca de Neve envenenada por uma maçã. Hermann Gessler obriga Guilherme Tell a atirar uma flecha e derrubar uma maçã colocada sobre a cabeça de seu filho. Num de seus quadros, Magritte usa a maçã como suporte para apoiar seu trabalho sobre nomes e representações: a tela se chama ‘Isto não é uma maçã.’ Maurice Chevalier canta: ‘Minha maçã sou eu’, numa evidente ressonância de Flaubert. Sacha Distel replica: ‘Des pommes, des poires et des scoubidous!’ Nos EUA, a maçã é o presente tradicional que um aluno leva para seu professor, tornando-se por extensão o símbolo do magistério para os americanos. O aposto para Nova York é ‘a grande maçã’. E aqueles jovens que não tinham dinheiro para refeições mais substanciosas, matando a fome com maçãs, deram à sua sociedade, que se tornaria bilionária com o desenvolvimento dos produtos Macintotosh, o nome Apple. Nada de Newton nesta história, dizem.

Na mitologia e literatura greco-romana a fruta ocupou lugar de relevância. Dionísio a criou pra oferecer à Afrodite e por esse motivo ela se tornou símbolo do amor. Teócrito a tomou como tema em seus poemas eróticos, associando sua forma às nádegas femininas. No Jardim das Espérides, sua colheita foi o décimo-primeiro trabalho de Hércules. Sinônimo do pomo da discórdia lançado por Eris, precipitou a Guerra de Tróia. Na História das Plantas, escrita três séculos antes de nossa era, Teofrasto resgatou as variedades que o Ulisses de Homero evocou : ‘as agrestes ou selvagens, as primaveris ou precoces, as acetinadas ou tardias, as mestiças ou doces, as nativas dos campos da Anatólia ou as cultivadas ao redor das cidades.’

Seis tipos, que os romanos descobriram depois serem mais de 30 e das quais hoje se conhecem 527 , resultantes de trabalho custoso de especialistas em cruzamentos. Os números estão no folder de divulgação do selo Vergers Ecoresponsables, associação de produtores de maçãs da França. No próximo final de semana eles receberão milhares de turistas locais e estrangeiros em suas pequenas propriedades, cerca de 40, espalhadas por todo o território francês. No dia 31 de agosto começa a colheita 2013 ( que termina em novembro) e os pomicultures programaram muitos eventos, inclusive culinários, claro. No reino das Reinettes, Gala, Elstar e Golden, a torta de maçã francesa estará presente. Ela é diferente da americana e foi criada em decorrência de um pequeno acidente em que se envolveram duas irmãs cozinheiras que legaram seu nome ao doce. Segundo reza a lenda, elas haviam preparado de forma tradicional a torta para clientes de seu pequeno restaurante. Entre a cozinha e a mesa, a mais velha tropeçou e a torta virou, ficando as frutas para cima, em posição invertida. Sem opção, Madame a serviu assim mesmo e recebeu muitos elogios por tão bela apresentação. Estava criada a Tarte Tatin. Como todo clássico, tem poucos ingredientes, é fácil de preparar, seu sabor é único e ainda exibe um desenho bonito.

Prepare a massa. Peneire a farinha com sal sobre superfície lisa. Adicione a manteiga e com as pontas dos dedos misture até obter um creme. Faça uma abertura no centro, coloque aí a água gelada, o açúcar de confeiteiro e a gema. Amasse até fazer uma bola. Leve coberta à geladeira onde deve ficar durante uma hora. Enquanto isso descasque as maçãs, corte ao meio na horizontal, retire o miolo. Caramelize uma forma redonda com o açúcar cristal, espalhe sobre a calda as metades das maçãs viradas para baixo e volte ao fogo para que cozinhem, o que deve levar 15 minutos. Desligue a chama, deixe esfriar. Abra a massa gelada em forma de círculo, cubra a compota de maçãs, fure a superfície com um garfo. Leve ao forno aquecido a 200º por 15 minutos ou até a massa dourar. Deixe amornar e desenforme. Sirva com sorvete de creme ou baunilha.

Ingredientes

1,2 quilo de maçãs tipo Gala
80 gramas de manteiga em temperatura ambiente
175 gramas de farinha de trigo
1 gema
200 gramas de açúcar cristal
25 gramas de açúcar de confeiteiro
1 colher (sopa) de água gelada
1 pitada de sal

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