Coroa de queijo


(Foto: Comércio da Franca / Dirceu Garcia)

Bom para saborear com café (Foto: Comércio da Franca / Dirceu Garcia)

De tanto ler sobre culinária, e já tendo experimentado muitas receitas especialmente para esta página, acontece-me acertar na escolha em 90% dos casos. Raramente sou surpreendida com um resultado ruim ou frustrante, que descarto de imediato. Apenas avaliando a lista de ingredientes e o modo de fazer, consigo, dada certa experiência aliada a um sexto sentido, dizer se aquilo pode dar certo ou não. Neste segundo caso, viro a página, nem tento. Acontece porém de estar errada algumas vezes e o que reputo como impraticável redundar em coisa boa. Foi o caso desta coroa de queijo, algo inimaginável para mim e cujo resultado final agradou.

A receita encontrei em livro antigo, editado em 1950. A obra divide a culinária brasileira em regiões, depois de alguns capítulos dedicados à arte de compor cardápios diferenciados e montar mesas bonitas e respeitáveis com simplicidade e bom gosto. Tematicamente ficou ultrapassado pela evolução dos tempos e imagino como sua leitora a mulher que se contentava em ser apenas dona de casa, restrita ao lar que administrava por longas horas. Enfim, sobraram as receitas. Estas, sim, em sua grande parte ainda clássicas. No meio delas foi que achei, no capítulo sobre pratos do sul do país, a coroa de queijo que você pode preparar numa dessas tardes de domingo quando bate uma fome, a gente não quer sair de casa e já se cansou da pizza ou lanches delivery.

Se você tem alguma curiosidade por gastronomia verá logo que a massa é a célebre pâte à choux dos franceses. Ela é a base de alguns itens clássicos da confeitaria, como as bombas e as carolinas. E acho que foi isso que me causou estranhamento, não imaginava que sua estrutura delicada, apropriada a receber recheios cremosos, doces e suaves, pudesse ter versão salgada, e ainda com queijo! Relutei um pouco antes de experimentar. Não é que gostei tanto que já repeti outras vezes, substituindo o queijo por bacon frito e esfarelado e também presunto picadinho?

Vou dizer como fiz, seguindo exatamente as quantidades. Coloquei numa panelinha água, manteiga, sal e levei ao fogo. Quando levantou fervura, reduzi a chama e juntei a farinha de uma só vez. Mexi energicamente, usando colher de pau, até aparecer o fundo da panela e desgrudar das laterais, formando uma bola. Desliguei o fogo e deixei a massa amornar numa tigela. Aí fui juntado os ovos, um a um. Da primeira vez achei que ia dar em nada, tempo perdido, etc. Grande equívoco, ou preconceito, vai-se saber. Quando os quatro ovos já estavam bem incorporados, acrescentei os pedacinhos de queijo e voltei a mexer até misturá-los por completo. Aí, untei uma forma redonda, polvilhei farinha, emborquei no meio uma tigelinha e tracei um círculo com a ponta de uma faca. Com a ajuda de duas colheres de sopa peguei porções da massa e fui colocando na assadeira, lado a lado, sobre o círculo. Levei ao forno médio (200ºC), pré-aquecido, por 40 minutos, tempo em que se uniram e ficaram alouradas. Enquanto esfriava um pouquinho, passei um café. Coloquei a coroa de queijo num prato de porcelana, trazido da Provence por Junior e Milena, filho e nora, e servi naquela tarde de julho em que Franca estava parecendo cidade europeia, com frio de 6 graus e bruma em torno da catedral. Acho que fui aprovada.

Ingredientes

2 xícaras de água
100 gramas de manteiga
1 pitada de sal
2 xícaras de farinha de trigo
4 ovos
100 gramas de moçarela em cubinhos

porção: 5
dificuldade: Média
preço: econômico

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s