Sopa dourada


 Faz parte da nossa tradição caipira mas também está presente no cardápio norte-americano do interior, de onde foi resgatada pelo jornal The Huffington Post Li com prazer matéria principal do caderno Comida do jornal Folha de São Paulo, publicado na última quarta-feira de abril. Com o título Lugar de Mulher..., assim mesmo com reticências, a reportagem abordava recente divulgação dos 50 melhores restaurantes do mundo em 2014, ranking organizado pela prestigiosa revista Restaurant. O célebre Noma, de Copenhague, voltou ao primeiro lugar, surpreendendo o próprio chef René Redzepi, que enfrentara muitos problemas com sua casa em 2012. Um deles, grave: 63 clientes foram intoxicados por vírus e passaram mal depois de comer no Noma, o que configurou um escândalo. A má notícia para o gênero feminino é que apenas dois restaurantes dentre ‘os 50 melhores’ são liderados por mulheres. A boa é que um desses é o brasileiro Maní, que tem à sua frente Helena Rizzo e seu marido, Daniel Redondo. A casa paulistana obteve a 36ª colocação. Importantíssimo foi o feito pessoal de Helena que recebeu o prêmio de melhor chef mulher do mundo. Essa distinção homenageia uma profissional a cada ano.   No rebuliço provocado pela notícia, muitas foram entrevistadas para falar sobre o fenômeno de tão poucas mulheres na lista esmagadoramente masculina. Amanda Cohen, do nova-iorquino Dirt Candy, disse ser ‘uma vergonha ter apenas duas mulheres’. Viviane Gonçalves, Carla Pernambuco, Renata Vanzetto, Janaína Rueda- todas na capa- também falaram a respeito, considerando preconceituosa a votação. Na página interna outras chefs como Manu Buffara, Morena Leite e Ana Luiza Trajano expressaram-se sobre o assunto e se estenderam, contando sobre suas jornadas exaustivas de no mínimo 14 horas, e da dificuldade de conciliar profissão e maternidade.    Estranhei a ausência de Rita Lobo no rol das escolhidas para falar sobre o assunto. E não sei a que atribuir a ausência. Pela criatividade e simplicidade, também pela leveza, gosto muito da cozinha desta chef. Além da competência que a leva a toda parte do Brasil e do mundo, juntem-se  a seu perfil a presença bonita na televisão, em revistas e jornais, o muito acessado site Panelinha, lindos livros ilustrados, de texto autoral fluido, que desperta a vontade de saborear pratos que nos lembram família. Seja o bolinho de caneca que se faz para os filhos; a salada de trigo e romã das festas de fim de ano; as piadinas que quebram o galho quando amigos chegam de surpresa; a entrada sofisticada que reúne merengue salgado com amor-perfeito... E suas muitas sopas, que podem ser servidas ousadamente em xícaras ou com acompanhamentos inusitados como pipocas. Tudo fica bonito e gostoso, sem muito lero-lero, sem invencionices desnecessárias. As receitas de Rita Lobo dão certo e não pedem habilidades específicas. É comida  para agradar nosso paladar; os sabores já são conhecidos mas alcançam outras notas com o incremento de uma pitada de imprevisto. A apresentação é sempre de encher os olhos.    A sopa de abóbora é um prato trivial que faz parte de nossa tradição caipira mas também integra a mesa de outras culturas, inclusive a norte-americana. Basicamente é feita com pedaços de abóbora madura refogados em azeite onde se fritou o alho amassado e cebola em plumas.  Rita inova ao cozinhar com casca e em pouca água a abóbora e depois retirar a polpa, levada de novo ao fogo com azeite e temperos, incluindo-se  gengibre e talos de erva-cidreira que eu troquei por ervas finas. Depois de meia hora no fogo, a mistura é retirada, esfriada e batida no liquidificador. Volta à chama por mais alguns minutos, espera-se borbulhar e então serve-se. Isso pode ser feito de três formas. Se for para crianças, numa tigela: salpicada com pipocas, fica lúdica e os pequenos vão adorar. Se for como entrada para jantar com amigos, encha xícaras e coloque ao lado uma rama de canela, toque bonito e perfumado. Se for para toda a família, em noite de frio onde se busca aconchego, despeje em cumbuca, coloque por cima uma boa colherada de iogurte ou de creme de leite, mexa para obter um efeito marmorizado, salpique fines herbes, que podem ser substituídas por salsinha e cebolinha. Fica supercharmoso e minicalórico.   Por falar nisso, a combinação de alta concentração de fibras e baixas calorias que a abóbora oferece torna-a excelente nas dietas de emagrecimento. Somando apenas 50 calorias em uma xícara de chá, o alimento proporciona sensação de saciedade por mais tempo devido a sua textura fibrosa, fazendo a perda de peso ser mais eficaz.    Depois que o jornal virtual norte-americano The Huffington Post resolveu listar os benefícios importantes da abóbora à saúde, o consumo vem bombando no mundo inteiro. Além dos ótimos efeitos sobre o organismo, há os econômicos para o bolso. Abóbora nasce em quase toda parte, cresce rápido, custa pouco, tem design interessante e cores apetitosas. É fruto bom, barato e belo, como os artigos da antiga Casa Betarello, em slogan memorável.   porção: 4 dificuldade: fácil preço: econômico   ingredientes  1 kg de abóbora madura  1 pedaço de gengibre (5 cm)  1 cebola  3 dentes de alho  1 colher (chá) de fines herbes (ou cheiro verde)  1 ½ litro de água  Azeite a gosto  4 colheres (sopa) de iogurte  Sal a gosto     passo a passo   1 - Cozinhe a abóbora com casca em pouca água e depois retire a polpa   2 - Refogue com alho e cebola e junte  gengibre, ervas finas e sal   3 - Depois de vinte minutos, retire, deixe esfriar, bata no liquidificador   4 - Volte à panela, deixe levantar fervura e desligue   5 - Sirva com creme de leite ou iogurte; salpique mais um pouquinho de ervas (Foto: Dirceu Garcia/Comércio da Franca)

Faz parte da nossa tradição caipira mas também está presente no cardápio norte-americano do interior, de onde foi resgatada pelo jornal The Huffington Post (Foto: Dirceu Garcia/Comércio da Franca)

Li com prazer matéria principal do caderno Comida do jornal Folha de São Paulo, publicado na última quarta-feira de abril. Com o título Lugar de Mulher…, assim mesmo com reticências, a reportagem abordava recente divulgação dos 50 melhores restaurantes do mundo em 2014, ranking organizado pela prestigiosa revista Restaurant. O célebre Noma, de Copenhague, voltou ao primeiro lugar, surpreendendo o próprio chef René Redzepi, que enfrentara muitos problemas com sua casa em 2012. Um deles, grave: 63 clientes foram intoxicados por vírus e passaram mal depois de comer no Noma, o que configurou um escândalo. A má notícia para o gênero feminino é que apenas dois restaurantes dentre ‘os 50 melhores’ são liderados por mulheres. A boa é que um desses é o brasileiro Maní, que tem à sua frente Helena Rizzo e seu marido, Daniel Redondo. A casa paulistana obteve a 36ª colocação. Importantíssimo foi o feito pessoal de Helena que recebeu o prêmio de melhor chef mulher do mundo. Essa distinção homenageia uma profissional a cada ano.

No rebuliço provocado pela notícia, muitas foram entrevistadas para falar sobre o fenômeno de tão poucas mulheres na lista esmagadoramente masculina. Amanda Cohen, do nova-iorquino Dirt Candy, disse ser ‘uma vergonha ter apenas duas mulheres’. Viviane Gonçalves, Carla Pernambuco, Renata Vanzetto, Janaína Rueda- todas na capa- também falaram a respeito, considerando preconceituosa a votação. Na página interna outras chefs como Manu Buffara, Morena Leite e Ana Luiza Trajano expressaram-se sobre o assunto e se estenderam, contando sobre suas jornadas exaustivas de no mínimo 14 horas, e da dificuldade de conciliar profissão e maternidade.
Estranhei a ausência de Rita Lobo no rol das escolhidas para falar sobre o assunto. E não sei a que atribuir a ausência. Pela criatividade e simplicidade, também pela leveza, gosto muito da cozinha desta chef. Além da competência que a leva a toda parte do Brasil e do mundo, juntem-se  a seu perfil a presença bonita na televisão, em revistas e jornais, o muito acessado site Panelinha, lindos livros ilustrados, de texto autoral fluido, que desperta a vontade de saborear pratos que nos lembram família. Seja o bolinho de caneca que se faz para os filhos; a salada de trigo e romã das festas de fim de ano; as piadinas que quebram o galho quando amigos chegam de surpresa; a entrada sofisticada que reúne merengue salgado com amor-perfeito… E suas muitas sopas, que podem ser servidas ousadamente em xícaras ou com acompanhamentos inusitados como pipocas. Tudo fica bonito e gostoso, sem muito lero-lero, sem invencionices desnecessárias. As receitas de Rita Lobo dão certo e não pedem habilidades específicas. É comida
para agradar nosso paladar; os sabores já são conhecidos mas alcançam outras notas com o incremento de uma pitada de imprevisto. A apresentação é sempre de encher os olhos.
A sopa de abóbora é um prato trivial que faz parte de nossa tradição caipira mas também integra a mesa de outras culturas, inclusive a norte-americana. Basicamente é feita com pedaços de abóbora madura refogados em azeite onde se fritou o alho amassado e cebola em plumas.  Rita inova ao cozinhar com casca e em pouca água a abóbora e depois retirar a polpa, levada de novo ao fogo com azeite e temperos, incluindo-se  gengibre e talos de erva-cidreira que eu troquei por ervas finas. Depois de meia hora no fogo, a mistura é retirada, esfriada e batida no liquidificador. Volta à chama por mais alguns minutos, espera-se borbulhar e então serve-se. Isso pode ser feito de três formas. Se for para crianças, numa tigela: salpicada com pipocas, fica lúdica e os pequenos vão adorar. Se for como entrada para jantar com amigos, encha xícaras e coloque ao lado uma rama de canela, toque bonito e perfumado. Se for para toda a família, em noite de frio onde se busca aconchego, despeje em cumbuca, coloque por cima uma boa colherada de iogurte ou de creme de leite, mexa para obter um efeito marmorizado, salpique fines herbes, que podem ser substituídas por salsinha e cebolinha. Fica supercharmoso e minicalórico.
Por falar nisso, a combinação de alta concentração de fibras e baixas calorias que a abóbora oferece torna-a excelente nas dietas de emagrecimento. Somando apenas 50 calorias em uma xícara de chá, o alimento proporciona sensação de saciedade por mais tempo devido a sua textura fibrosa, fazendo a perda de peso ser mais eficaz.
Depois que o jornal virtual norte-americano The Huffington Post resolveu listar os benefícios importantes da abóbora à saúde, o consumo vem bombando no mundo inteiro. Além dos ótimos efeitos sobre o organismo, há os econômicos para o bolso. Abóbora nasce em quase toda parte, cresce rápido, custa pouco, tem design interessante e cores apetitosas. É fruto bom, barato e belo, como os artigos da antiga Casa Betarello, em slogan memorável.
porção: 4
dificuldade: fácil
preço: econômico
Ingredientes
 1 kg de abóbora madura
 1 pedaço de gengibre (5 cm)
 1 cebola
 3 dentes de alho
 1 colher (chá) de fines herbes (ou cheiro verde)
 1 ½ litro de água
 Azeite a gosto
 4 colheres (sopa) de iogurte
 Sal a gosto
Passo a Passo
1 – Cozinhe a abóbora com casca em pouca água e depois retire a polpa
2 – Refogue com alho e cebola e junte  gengibre, ervas finas e sal
3 – Depois de vinte minutos, retire, deixe esfriar, bata no liquidificador
4 – Volte à panela, deixe levantar fervura e desligue
5 – Sirva com creme de leite ou iogurte; salpique mais um pouquinho de ervas
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