Lugar de Mulher


mulher1
Tenho achado o mundo um pouco estranho, sei lá, uma sensação me espreita. Nada concreto, algo como um bater de asas… Pode ser apenas que esteja ficando velha e começo a não me reconhecer no mundo que ocupo. Em criança, me cansei de ouvir meu pai dizer: “O mundo é seu, ele não me pertence mais”. Será que desde os seus 40 anos ele já dizia isso?!

O Iraque está prestes a sancionar lei que permite o casamento com menina de 9 anos. A Nigéria tem um vendedor de mulheres, “atuando em nome de Alá”. Normalmente repudio defesas às mulheres, justamente porque penso que nós não precisamos mais de proteção – de verdade, ou sou burra, ou jamais sofri qualquer tipo de discriminação, vivo bem do jeito que quero. Mas isso aí não dá!

Claro, nem se compara, mas o caderno Comida da Folha trouxe na capa algumas cozinheiras – melhor: chefs de cozinha -, reconhecendo-se minoria no campo gastronômico e listando como sempre os mesmos empecilhos que atravancariam o trabalho das mulheres nas cozinhas profissionais: trabalho pesado, trabalho sujo, horário ruim, ambiente rude, cheiro de cebola e alho nas mãos.

Posso falar de cátedra! Sim, o trabalho, às vezes, é pesado, algumas frigideiras pesam demais, peças de carne são pesadas, congelados são pesados e chatos de serem “embalados”, tirar a pele de uma peça de salmão requer alguma força, etc, etc. Ficar com as mãos cheirando a alho e cebola também é fato, não encontramos ainda nenhum produto que realmente os neutralizem. Mas o ambiente é uma delícia e libertador, e o resultado do trabalho pode ser encantador.

No começo do restaurante Azul Culinária Brasileira, eram três homens e uma mulher, hoje, somos três mulheres na cozinha, nenhum homem, e realmente nos bastamos, raras foram as vezes que requisitamos algum reforço masculino. A questão é que muitas mulheres não gostariam desse tipo de serviço. Mas as que gostam, vão sim, dar conta do recado.

Fiquei ainda mais perturbada com a crítica, sempre lúcida e ácida do sociólogo Carlos Alberto Dória, sobre a referida matéria, transcrevo-a: “Escapa também como a formação da cozinha industrial, no final do século XIX, erigiu os preconceitos de gênero como barreira de entrada para a mulher, obstáculo que favoreceu a masculinização da cozinha. A mulher burguesa, dondoca ou coisa parecida, envolta em valores das classes dominantes, funcionou como biombo a esconder esse processo discricionário de masculinização da força de trabalho nos hotéis e restaurantes”.

E só para finalizar: não somos minoria nos restaurantes, somos minorias de chefs! Uma pesquisa de 2007 do Ipea já revelava que 65% da força de trabalho nos restaurantes é de mulheres. Outra coisa: todas as mulheres fotografadas pelo jornal ou são proprietárias ou sócias nos restaurantes que trabalham. Ainda bem, nunca é tarde para rever nossos conceitos…

Dica da semana

Cream Cheese caseiro

Para quem aprecia, dá para fazer um cream cheese caseiro com bem pouco trabalho. Conheço uma receita bem prática.

Comece colocando 2 litros de leite bem frescos numa tigela. Coloque essa tigela num local em que ela permaneça levemente aquecida por 30 minutos. Por exemplo, ligue o forno e deixe a tigela na boca do fogão. Depois desse tempo, coloque 2 colheres de sopa de coalho e mexa por 2 minutos.

Após duas ou três horas a coalhada se separa do soro. Aí é hora de colocar para escorrer.

Em seguida, coloque a coalhada numa gaze bem limpa e deixe escorrendo por 24 horas, período em que se deve mexer a massa por duas vezes. Pronto, é só temperar e, claro, saborear!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s