A Cor do Pão


pao
A cultura alimentar romana escolheu uma tríade: o vinho, o pão, o azeite. O cristianismo, que veio depois disso, os consagrou, transformando os dois primeiros, respectivamente em, sangue e corpo de cristo, além de atribuir ao azeite, função litúrgica. Deixemos o vinho e o azeite para outras conversas.
Quando falamos desse pão, nascido no berço de nossa civilização, estamos falando do pão branco feito de trigo. A cultura de grãos dos romanos foi por muito tempo baseada no trigo. Esse foi o cereal eleito para o consumo nas cidades e ditou por muito tempo a produção agrícola, afinal era o mais bem pago.
O caráter cromático definia a classe social e a distinção do gosto: o pão de trigo é branco, o de centeio, ou de qualquer outro cereal, é preto. O pão branco era destinado aos nobres, aos senhores, era um produto de luxo, já o pão preto (feito de quaisquer grãos) foi, durante séculos, produto destinado aos camponeses.
Mas, a Europa, ao contrário do Brasil, conheceu a fome de uma forma que nós jamais tivemos notícia. Nossa terra, nosso sol, sempre se mostraram de forma amigável e dispostos a fornecerem pelo menos o pão. Se não plantamos é porque não precisamos, não queremos…
O pão que alimentou o mundo inteiro sofreu reveses e a Europa o produziu de todas as formas – até de terra. Durante a carestia do ano de 1032, por exemplo, um historiador conta que as experiências eram as mais dramáticas. Os camponeses extraiam uma espécie de argila branca e a misturavam a uma pequena quantidade de qualquer farelo ou grão. O resultado não era o esperado, os comedores desse pão de terra traziam as faces cinzas, escavadas, o corpo inchado, até a voz afinava. A necessidade de se alimentar um mundo que crescera em população, mas que não desenvolvera a agricultura, ceifou o trigo dos campos para a plantação do centeio, que nasce em qualquer lugar.
Olhando-se para o pão, ou melhor, para os pães de hoje, tempos de abundância, vemos que ele continua sendo o alimento de destaque nas mesas do mundo inteiro. E ele floresce, antenado que está com a situação favorável do mundo. Mas é também objeto de uma grande mudança conceitual: do branco e do preto. Se antes tínhamos uma supremacia do pão branco, hoje vemos exatamente o contrário. As lojas gourmet enchem suas prateleiras de pães pretos, de cevada, de centeio, de aveia, de espelta, em detrimento do pão de trigo. A classe alta, hoje, se distingue pelo consumo dos pães escuros, enquanto o pobre “apenas” pode se deliciar com o velho e bom pãozinho branco de farinha de trigo.
Para onde caminha a interessante história dos grãos não me arriscaria dizer, é uma eterna dança das cadeiras, só sei que o pão estará lá, aceitando ser sovado e assado com as mais diferentes matérias primas e matando a fome de ricos e pobres.
Dica da semana
Pé de Moleque
Vi uma receita desse doce tradicional das festas que se iniciam a partir de agora. No entanto, tenho que confessar que eu mesma não fiz o doce, embora a receita seja de fonte confiável. Passo por aqui, se alguém fizer, me conte. Esse pé de moleque é maranhense e não vai amendoim!
Troca-se o amendoim pela farinha d’água (vende-se dela na feira livre) que é uma farinha de mandioca bem dura que deve ser hidratada antes de ser usada. A proporção é de 250 gr de farinha d’água para 2 colheres de sopa de manteiga e 1 coco ralado e açúcar o quanto baste.
Primeiro se lava a farinha como se fosse arroz, despreza-se os caroços maiores, escorre e deixa ela inchar, até ficar bem seca, como o trigo do quibe.
Daí junta tudo e amassa, se ficar duro, põe leite de coco para amolecer. Deixe no ponto de croquete, enrole na palma da mão e frite! Passe no açúcar refinado com canela.
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