Vieira: delícia escondida em conchas


conchas

Nem bem chegamos e eu já procurava por elas. Sabia que não haveria muito tempo para a procura, pois o combinado para três diazinhos de passeio era somente descanso, não seria justo atropelá-los com qualquer atividade de trabalho. Fiquei ansiosa porque oportunidades únicas não se repetem. Percorri com os olhos toda a extensão de areia buscando qualquer indicação que me levasse a elas, mas nada…

Chegamos ao quarto, desfiz a mala, banho e feliz: colocar a roupa que tantas outras praias já viu, quase um ritual. Estava frio, tempo aberto, vejo da minha janela que as mesas do jantar estão sendo montadas ao ar livre, dez mesinhas de casais é a lotação máxima do lugar. Jantar aqui não é coisa amadora, é levada a sério e tanto pode maravilhar como indignar, há que se saber onde está. Trata-se quase sempre de peixe fresco assado, acompanhado por muitos legumes e uma torta: jantar minimalista e perfeito.

Miro a mesa que quero, desço as escadas e lá estão elas! Mal pude acreditar, dentro de uma bacia de acrílico cheia de água, ainda vivas, descansavam as famosas Vieiras de Picinguaba. Um simples, mas muito bem instruído rapaz apresentava aos gringos o que era aquilo – e, quando não se fazia entender, ele se saía muito bem com um: “é uma iguaria!”. Ele pegava as lindas conchas, elas espirravam água na tentativa de acionar uma propulsão que as salvassem. O rapaz, munido de canivete, retira o intestino, pinga limão – e é só nhac. Não dá para fazer com elas o mesmo que se faz com as ostras, simplesmente deixá-las escorregar garganta abaixo, é preciso mastigá-las.

Bem, há alguns poucos anos iniciou-se, naquela vila de pescadores, estudos e testes sobre a viabilidade de se ter ali um criadouro de vieiras. Um laboratório em Angra dos Reis fornece as matrizes ainda bem pequenininhas, quando as conchas são do tamanho daquele primeiro anel calcário. Cerca de dez pescadores se juntaram, deixando a pesca de peixes. Escolheram algumas ilhas pequenas próximas e arrumaram a fazenda de vieiras.

Bem, e o que são vieiras? Quem assiste aos programas de culinária da televisão já ouviu falar delas, mas talvez nunca as tenha visto. Trata-se de um molusco que vive em concha tal qual as ostras, mas suas conchas são em forma de leque meio rosadas, o arquétipo das conchas. A carne trata-se de uma bolinha branca, um escapole perfeito, com textura parecida com a da lagosta. Fiquei maravilhada com o trabalho dos pescadores. Já havia comido vieiras, mas confesso que, não sei se por força de ocasião, achei as de Picinguaba talvez melhores que as francesas, inglesas…

Não sei sinceramente como anda o lucro do pessoal, sei que estão a causar furor. Naquele dia mesmo o chef Alex Atala estava por lá, visitando-os. Perguntei ao Diley, é esse o nome de um dos cooperados, como andavam os lucros, ele se dignou a responder apenas que acabara de chegar de Angra dos Reis e trouxera 70 mil vieiras bebês, que tinha muito trabalho a fazer e que a safra do ano que vem, graças a Deus, estava já garantida. E eu, num papo animado, sem descumprir meu trato de só descansar, acertei minhas encomendas.

DICA DA SEMANA

Bolo de fubá

Aquele bolo de fubá com queijo é absolutamente adorável, é conforto que se come. Pede café e conversa íntima da tarde. A boleira Joyce Galvão tem uma receita tão boa e tão fácil que vale muito a pena.

O segredo é utilizar o queijo meia cura bem curado. Aquele branco é ainda massa de queijo que não fica muito bom. Escolham aquele de casca bem amarela, o interior estará perfeito.

880 ml de leite, 4 ovos, 500 gr de açúcar, 1 colher de café de fermento, 15 gr de farinha de trigo, 60 gr de manteiga, 225 gr de fubá, 150 gr de queijo e 1 colher de café de erva doce.

Bata tudo no liquidificador, exceto a erva doce, na ordem em que está. Dica boba, mas importante! Coloca-se sempre os líquidos, os ingredientes sólidos grudam no fundo. Daí o fermento começa a inchar a massa e a gente não consegue mais misturar bem.

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