Prato Farroupilha


O Arroz Carreteiro nasceu da necessidade dos mercadores ambulantes de uma receita prática, fácil de elaborar e bastante nutritiva para repor energias

O Arroz Carreteiro nasceu da necessidade dos mercadores ambulantes de uma receita prática, fácil de elaborar e bastante nutritiva para repor energias

Começa neste domingo no Rio Grande do Sul a Semana Farroupilha, evento festivo da cultura gaúcha que mobiliza toda a população do Estado sob o tema do orgulho gaúcho. Há desfiles, shows típicos, muita celebração para lembrar o movimento que estabeleceu um dos marcos da identidade sulista. E há muita comilança também, com os pratos que fazem parte do cardápio sul-riograndense ocupando lugar destacado na dieta doméstica e nos menus dos resturantes.

Farroupilhas foram chamados todos os que no Estado hoje conhecido como Rio Grande do Sul se revoltaram contra o governo imperial e lutaram na Guerra dos Farrapos, que culminou com a proclamação da República Rio-Grandense. Considerado originalmente pejorativo, já utilizado pelo menos uma década antes para designar os sul-rio-grandenses vinculados ao Partido Liberal, oposicionistas e radicais ao governo central, o termo farroupilha se opunha a caramurus. Inicialmente, os farroupilhas reivindicavam a retirada de todos os portugueses que se mantinham nos mais altos cargos do Império e do Exército, mesmo depois da Independência, respaldados pelo Partido Restaurador, o dos caramurus que almejavam a volta de D. Pedro I ao governo do Brasil.

No entanto, cumpre esclarecer que entre os farrapos ou farroupilhas havia os que acreditavam que só tornando suas províncias independentes poderiam obter uma sociedade chula, ou seja, administrada por provincianos. Contavam-se no grupo estancieiros, estancieiros-militares, farroupilhas-libertários, militares- libertários, estancieiros-farroupilhas, abolicionistas e escravos que buscavam a liberdade, numa combinação e interpenetração ideológica sem fim. O espectro era amplo e inicialmente nem todos se mostravam republicanos e separatistas. Mas os acontecimentos e os novos rumos do movimento conduziram ao desfecho conhecido.

A Revolução Farroupilha passou para a história como uma das mais bem sucedidas revoltas por liberdade no Brasil imperial do século XIX. Historiadores veem como seu estopim a cobrança de altos impostos sobre o charque, o sal e outros produtos da região.

Os farroupilhas foram liderados por Bento Gonçalves. Tomaram o poder em Porto Alegre no dia 20 de setembro de 1835, expulsando de lá o presidente da província e empossando o vice. Pela primeira vez na história do Brasil, os rebeldes conseguiam implantar uma República. Apoiado por Bento Gonçalves, o governo teve seis ministérios, serviço de correios, polícia própria e tratados com outros países, inclusive o Uruguai. Mas como não houve aplicação das ideias liberais que haviam impulsionado o movimento, o novo governo aos poucos se caracterizou como ditadura, reprimindo duramente qualquer opinião contrária. Nada de novo sobre a Terra…

Quem assistiu à minissérie A Casa das Sete Mulheres, da TV Globo, escrita por Maria Adelaide Amaral e Walter Negrão a partir do romance homônimo da romancista gaúcha Letícia Wierzchowski, poderá resgatar pela memória este momento histórico através da saga das mulheres que faziam parte da família do líder dos farrapos, Bento Gonçalves. Este herói batiza com seu nome uma das belas cidades gaúchas em torno da qual se desenvolveram muitas vinícolas.

Então, esta será uma semana emque os gaúchos vão relembrar muito de sua história. Entre os pratos que farão parte dos muitos banquetes de celebração, pode-se apostar na presença impositiva do Arroz Carreteiro. Tal como a Revolução Farroupilha, ele também é uma dos elementos constitutivos da intensa e vigorosa alma gaúcha.

O Arroz Carreteiro nasceu da necessidade, pois os carrreteiros, que atravessavam o sul do Brasil abrindo caminhos e descampados, careciam de alimentos de fácil preparo mas que fossem também nutritivos, já que as energias gastas eram muitas. O arroz já era o grão de excelência a balizar o cardápio. O charque, conhecido em outras regiões como carne de sol ou carne seca, era abundante e resistia sem problemas às largas travessias dos pampas. Reunindo em panela de ferro estes dois ingredientes, e os combinando com temperos, os mercadores ambulantes criaram um prato delicioso, muito nutritivo e facílimo de preparar. Caiu no gosto de todos e se transformou em ícone da culinária gaúcha, apreciado por brasileiros de todas as regiões. É um prato completo: para acompanhá-lo basta uma salada verde.

Não é necessário ter uma panela de ferro para prepará-lo. Mas se você possuir uma, não deixe de usá-la. O charque (carne-seca) deve ser dessalgada desde a véspera. Para facilitar, pique em pedaços miúdos. Deixe demolhando numa tigela, dentro da geladeira, e vá trocando a água por pelo menos quatro vezes, num espaço de 12 horas. Depois é cozinhar na panela de pressão por 40 minutos ou até que esteja bem macia. Deixe esfriar e escorra. Numa panela aqueça o óleo em fogo médio, junte a carne, acrescente o arroz e refogue por dois minutos. Adicone a cebola, os tomates, o cheiro-verde e refogue por mais dois. Dissolva o cubo de carne na água fervente e acrescente ao arroz. Cozinhe em fogo médio por dez minutos, com a panela parcialmente destampada. Abaixe o fogo, tampe a panela, cozinhe por mais dez minutos ou até secar o líquido e o arroz ficar macio. Retire do fogo, aguarde 5 minutos e sirva a seguir.

INGREDIENTES

Meio quilo de carne-seca cortada em cubos pequenos
1 litro de água fervente
3 colheres (sopa) de óleo
1 ½ xícara (chá) de arroz
1 cebola média cortada em cubinhos
3 tomates maduros cortados em cubos
½ xícara (chá) de cheiro-verde picado
1 cubo de caldo de carne

porção: 4 pessoas
dificuldade: fácil
preço: econômico

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