Mercadinho da Suzana


mercado

Mais uma vez é sexta feira, 23h59 e lá está o Cometa com que passo a me familiarizar. E algumas semanas são tão cheias, tem sido assim ultimamente, que o leito do ônibus me parece aconchegante. Teremos de novo a matéria Viagens pelo Brasil e ansiamos pela novidade. Espanta-nos as escolhas criteriosas de lugares e personagens. Acertam em cheio e complementam nossos estudos em classe. Mais do que isso: se a vida vale e pena, e eu não duvido disso, a inspiração a torna renovável.

Chego a Campos do Jordão e a van e meus amigos estão a minha espera para continuarmos a viagem. Meio sonolenta, olho para fora e levo um susto: estou na rodovia Tamoios! Como assim? Saio de Franca num dia e chego a Tamoios e volto no mesmo dia! Parecem até férias frustradas. Mas frustrada mesmo me sinto ao ver a nova Tamoios: o que fizeram com essa rodovia charmosa, cheia de verde? Não me conformei ainda. Todas as vezes que desci para o litoral norte a mata Atlântica dessa rodovia era parte integrante do passeio. Agora, um deserto a moda do filme Mad Max, paredões desnudos por explosões que detonaram a beleza e a vida. Ok, os defensores vão dizer que duplicaram, evita-se acidentes, está mais larga, e que não moro ali, só a utilizo para turismo. Sim, são argumentos poderosos, e eu omitiria a minha opinião desagradável não fosse por um fato: o Mercadinho da Suzana.

Na volta do passeio de Paraibuna (contarei depois), fomos presenteados com um almoço maravilhoso, encomendado pelo Senac, feito pela Suzana, que aprendeu a cozinhar com sua bisavó. É também artista e a comida veio para incrementar o artesanato. E foi crescendo, tem bolachas, empadas, biscoitos e almoço. O restaurante está localizado na Tamoios e não abre assim ao léu, é coisa muito chique. A gente liga para ela e faz a encomenda, diz quantas pessoas vão e o que gostariam de comer. A gente pode pedir bacalhau, coelho, carneiro ou simplesmente um frango caipira. O Senac pediu pra que ela fizesse para nós costelinha de porco, mandioca, pasta de grão de bico, cabotiá, frango, arroz, feijão e ovo frito, só para nosso grupo.

Suzana está também injuriada com o que fizeram naquela rodovia, e ela a usa todos os dias e não suporta mais a visão do cinza que tomou lugar do verde. A decoração do seu mercado é de um colorido intenso, que anda contrastando com uma certa melancolia. Ela já sabe que terá que se retirar de lá. Ela não tem contrato com a concessionária e não é parceira como os “frangos assados” da vida.

Mas Suzana, embora já velha de estrada, sente a possibilidade do brilho acender, corre um fiozinho de esperança: a rodovia Osvaldo Cruz, que desce direto para Ubatuba, está intacta, verde, estreita, charmosa e talvez Suzana se mude para lá.

DICA DA SEMANA

Cogumelos

Bem, eu sou apaixonada por cogumelos, mesmo aqueles de conserva. E ainda por cima não engordam nada. Dá para fazer até na churrasqueira. Dá para aproveitar as grelhas do “churrascão” e colocar os seus cogumelos lá também, embora você possa ser xingada por isso.

Mas para isso é preciso escolher bem. Os shitakes grandes são os melhores e dá até para rechear. Compre pelo menos duas bandejas dessa espécie e separe cogumelos do mesmo tamanho. Tire o cabinho com cuidado e na parte côncava jogue um pouco de vinho branco, alho bem picado, tomilho e um pouco de queijo, pegue o outro cogumelo com tamanho igual e coloque por cima e prenda com palito. Fica sensacional. Para comer ponha em cima de uma fatia de pão, para não perder o caldinho.

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