Sítio de Bello e as frutas brasileiras


Sapotis, uvaias, cabeludinhas, barus, pitangas, seriguelas e tantas outras fazem a flora e a fauna renascerem

Sapotis, uvaias, cabeludinhas, barus, pitangas, seriguelas e tantas outras fazem a flora e a fauna renascerem

Comecei ao contrário com vocês, primeiro enchi a barriga no almoço no mercadinho da Suzana, para depois contar da experiência em si, na cidade de Paraibuna, bem próxima à cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Portanto, rumo a mais um encantamento.

Em meio a pastos e poeira por todos os lados, o Sítio do Bello é um alento aos olhos. Em dez hectares de terra, Douglas, o proprietário do sítio, plantou cerca de 160 espécies diferentes de frutas. Seu trabalho é pioneiro no cultivo de frutas brasileiras, que vão desaparecendo sem que a maioria de nós, brasileiros, sequer conheça seus gostos e seus benefícios. Como ele mesmo disse, seu sítio faz a alegria da terceira idade, únicos a conhecerem algumas espécies de frutas que comiam na infância.

Douglas é, antes de tudo, um estudioso e produtor de frutas. Além disso, quer deixar um registro do cultivo que deverá servir as novas gerações de produtores. Ele próprio se surpreendeu com a falta de material didático sobre o cultivo de frutas brasileiras. Parece que, por tentativa e erro, Douglas vai conseguindo conhecer do que gostam as suas frutas. Enfim, começou o cultivo de, por exemplo, araçás, abius, jenipapos sem que soubesse a melhor forma de manejo. Por isso testa, em vez de desistir.

Os espaçamentos entre as árvores, por exemplo, ele iniciou com 2 metros e foi até 5 metros – constatou que o meio termo é o melhor. Testou também a combinação entre elas. Para descobrir a produtividade de cada fruta, ele tem ao lado delas uma planta que pode-se chamar de paradigma. Por exemplo, um abacateiro, que tem a sua produtividade já conhecida, lhe fornecerá dados com relação àquela produtividade desconhecida.

Sapotis, uvaias, cabeludinhas, barus, pitangas, seriguelas e tantas outras são as responsáveis por fazerem a flora e a fauna do lugar renascerem. Pássaros desaparecidos retornam, árvores da floresta estendem alto suas copas, lobos, macacos, marrecos, até mesmo uma onça foi vista no sítio.

Entre as frutas cultivadas, destaque para a cereja do Norte, uma fruta desconhecida, muito saborosa que possui potencial para substituir as caras frutas vermelhas ou do bosque, que são importadas, na maioria. E a feijoa, essa ninguém conhecia mesmo, mas é nativa do Brasil e faz a festa na Nova Zelândia, país para onde foi levada e produz satisfatoriamente.

Da nossa região ele cultiva a guariroba, que estava guardada em minha lembrança, porque a comíamos quando era mato ao final de nossas ruas. Outra planta emblemática, que nós não comíamos, mas abríamos (na inocência da infância, o alinhamento das sementes em seu interior nos diria a letra do nome do nosso namorado), era a loba.

Tivemos a oportunidade de experimentar quase todas as frutas, as preferidas do grupo foram a cereja do Norte, a uvaia e a cambuci – o suco dessa última é ainda melhor. Recusei apenas a loba, que estava madura e exalava um cheiro delicioso – ainda assim, não consegui, pois me lembro claramente de minha mãe dizer que daquele fruto não devíamos comer, porque era venenoso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s