Fruta-pão o símbolo do Tahiti


No passado foi responsável pela manutenção da saúde, usada contra o escorbuto e fonte de energia que sozinha alimentava

No passado foi responsável pela manutenção da saúde, usada contra o escorbuto e fonte de energia que sozinha alimentava

Durante minhas andanças pelo outro lado do mundo, conheci um templo religioso quase não construído pelo homem, tendo por única intervenção um baixo e largo muro de pedras sobrepostas. Uma falha nesse muro determina a entrada, donde se deduz que a utilização da falha como porta era por puro respeito, uma vez que qualquer criança poderia facilmente pular o muro. Dentro, algumas pedras demarcavam o local em que cada família deveria permanecer, pedras grandes, pedras pontudas, tinham uma função hierárquica que se perdeu no tempo. Ao redor de todo o muro, cresce uma folhagem que acreditam proteger os bons espíritos que ali habitam – deve-se arrancar uma folha, fazer uma prece, colocar a folha em cima do muro com uma pedra para segurá-la. O templo é pequeno, sombreado pela floresta formada por árvores de fruta-pão. Mas não era para todos: só a linhagem nobre poderia transpor o muro, o povo ficava de fora assistindo a cerimônia, que poderia ser até sacrificial.

E é a fruta-pão que é o símbolo do Tahiti. Pode-se vê-la plantada em todos os lugares, casas, praças, florestas. Os nativos não parecem mais comê-la, mas elas reinam absolutas e se integram bem à imagem que fazemos do Tahiti: uma natureza que tudo provê.

No entanto, o significado dessa fruta para o povo vai muito além da gastronomia. Quando adentramos a catedral de Papeete, uma bela construção que data do século XIX, somos recepcionados com a imagem de Nossa Senhora talhada na madeira e segurando um menino Jesus com cara de sapeca. Ele segura uma enorme fruta-pão. E se hoje os taitianos já não precisam tanto recorrer a ela, no passado a fruta-pão foi responsável pela manutenção da saúde, utilizada com sucesso contra o escorbuto, ela é fonte de energia que sozinha alimentava. Cortada em rodelas, poderia ser frita ou cozida, por isso ser considerada boa como um pão. E também por isso o significado espiritual, ser chamada de fruto de Maria ou pão de Jesus. Um correspondente nosso? A mandioca, com certeza!

Apesar de toda a “culturação” a que foi submetido o povo polinésio (último a receber a influência europeia) pode-se pinçar traços bem marcantes da cultura original. Permite-se, por exemplo, que os santos católicos, na igreja, sejam enfeitados com colares com os quais os turistas são presenteados. Os personagens da via-sacra vestem pareôs – trajes típicos da ilha. As pessoas não usam sapatos, no máximo, chinelos. Mas vimos pessoas carregando os chinelos e pisando descalças. E todas as mulheres, independentemente da idade, da beleza, dos dentes, usam flores no cabelo, do lado esquerdo, se casadas, do lado direito, se solteiras, tal qual uma aliança que une passado e presente.

DICA DA SEMANA

Homus

É difícil dizer qualquer coisa sobre a pasta de grão de bico na cidade, famosa por seus imigrantes Sírio-Libaneses. Mas tenho em mãos um ótimo livro de culinária árabe, com dicas po úteis.

A pasta de grão de bico foi considerado prato exclusivo para o café da manhã, até meados dos anos 70, mesmo quando repleto de cebolas. A medida ganhou fama e difundiu seu consumo para qualquer hora do dia.

Como ingrediente para o homus tem-se o grão de bico, o alho, o tahine, água, azeite, salsinha e cominho. Para a pasta ficar clarinha, pode-se acrescentar coalhada. Para deixar bem lisa e leve, bata os grãos de bico no liquidificador. Para servir, espalhe a pasta num prato, jogue azeite e polvilhe cominho e grãos de bico inteiros. Ou pedaços de cebola e carne moída frita.

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