Torta de Bananas


bana

Toda vez que corto bananas em fatias no sentido do comprimento para preparar esta torta, é inevitável resgatar a música de Braguinha, composta no longínquo ano de 1937 em parceria com Alberto Ribeiro : “ Yes, nós temos banana / Banana pra dar e vender / Banana menina tem vitamina / Banana engorda e faz crescer // Vai para a França o café, pois é/Para o Japão o algodão, pois não/Pro mundo inteiro, homem ou mulher/Bananas para quem quiser // Mate para o Paraguai não vai/ Ouro do bolso da gente não sai/ Somos da crise, se ela vier / Bananas para quem quiser.” A crise tem sido ingrediente intermitente da vida brasileira, como se pode fácil concluir; e certa ironia em relação aos norte-americanos parece ter marcado presença no imaginário popular. O título seria resposta à música em língua inglesa que perguntava se tínhamos bananas para vender.

Muitos intérpretes teve esta marchinha de Carnaval. De Almirante, o primeiro a gravá-la, e Carmem Miranda, que a levou junto com os turbantes tropicais para seus shows nos EUA, a Emilinha Borba, nos anos 50 e Gal Costa, nos 80, pelo menos uns trinta. Gosto do jeito como Caetano Veloso a canta, me agrada também o estilo Ney Matogrosso, e me comove pensar neste imenso artista que foi Braguinha, o rei das marchinhas mas também de clássicos de nossa música popular, como Carinhoso, em parceria com Pixinguinha; A saudade mata a gente, com Antônio Almeida; Pastorinhas, com Noel Rosa; a atemporal Noites de junho, que anima até hoje as crianças brasileiras nas festas juninas.

Braguinha era um gênio que criava incessantemente. Começou na música inventando outro nome para si. No registro civil Carlos Alberto Ferreira Braga, quis ser conhecido como João de Barro e era assim que assinava suas composições. Gostava de pássaros e quando formou com outros rapazes o Bando dos Tangarás, propôs que cada um escolhesse como pseudônimo o nome de uma ave. Ninguém aceitou, mas ele persistiu e, num de seus rasgos hilários, chegou a assinar como Furnarius Rufus, nome científico do pássaro, a marchinha O que é que há? em 1948. Versátil, aceitou o convite de Wallace Downey, produtor recém- chegado ao Brasil, e o assessorou em filmes que podem ser considerados os da infância do cinema em nosso país: Alô, alô Carnaval; Alô, alô Brasil, Banana da terra e outros. Poucos sabem, mas o primeiro desenho animado de longa metragem da história do cinema, Branca de neve e os sete anões, de Walt Disney, teve João de Barro como um dos responsáveis pelo enredo e dublagem.

Continuou trabalhando nas versões de Disney como Pinóquio, Dumbo e Bambi e foi na onda desses desenhos que ele descobriu outra habilidade. Tornou-se criador de discos de histórias infantis para as quais criou o selo Disquinho, que vendeu milhões. Para Chapeuzinho Vermelho compôs letra e música até hoje lembradas: “Pela estrada afora…”

Braguinha viveu até os 99 anos e nunca parou de trabalhar. Uma entrevista concedida à TV Globo um ano antes de sua morte o mostra perfeitamente lúcido. Fez mil coisas na área da música, tinha facilidade de se relacionar com as pessoas, estava sempre sorridente.

Ah, dele também é Chiquita Bacana, lá da Martinica, que se veste com uma casca de banana nanica. E é com este tipo de banana que preparamos a torta da foto. A nanica é mais doce e ao ser assada forma a calda que ajuda a umedecer a massa. Uma curiosidade. Se nanica é palavra usada para definir o que é pequeno, por que adjetivar assim uma fruta que é grande se comparada a suas irmãs- a maçã, a prata, a ouro? É que nanica, na verdade, é a bananeira.

Numa tigela coloque a farinha de trigo, o açúcar e o fermento e peneire duas vezes. Bata os ovos e reserve. Corte as bananas no sentido do comprimento. Unte uma assadeira com manteiga e polvilhe farinha de trigo. Disponha uma primeira camada de bananas no fundo. Polvilhe as bananas com metade da mistura de farinha. Coloque outra camada de bananas. Cubra com o restante da mistura seca. Despeje sobre os ovos batidos e faça movimentos com um garfo para que o líquido penetre entre as fatias de banana e farinha. Em seguida coloque os pedacinhos de manteiga e proceda da mesma forma. Leve ao forno preaquecido a 180º e deixe assar por 40 minutos. Espete um palito para ver como sai: se estiver seco, a torta está assada, caso contrário deixe mais um pouco no forno. A superfície deve ficar dourada e seca. Retire, espere amornar e cubra com mistura de açúcar e canela. Corte em pedaços e sirva.

INGREDIENTES:
12 colheres (sopa) de farinha de trigo
8 colheres ( sopa ) de açúcar (pode ser mascavo, se preferir)
1 colher (sopa) de fermento em pó
6 ovos
100 gramas de manteiga sem sal

Cobertura:
1 colher (sopa) de canela em pó
3 colheres (sopa) de açúcar

porção: 6
dificuldade: fácil
preço: econômico

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