Beterrabas ao murro


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Costumo navegar na Internet procurando informações sobre gastronomia. Às vezes o assunto é tão bem tratado que eu me deixo levar por horas nas ondas sedutoras dos que veem a culinária como expressão do engenho humano onde ao caráter de nutrição dos alimentos alia-se a capacidade estética de elaborar, com produtos oferecidos pela natureza, pratos bonitos. Foi assim que dia desses fui parar no site Five Reasons To Eat Beets, onde Michelle Schoffro cita os cinco principais motivos para a gente comer mais beterrabas.

Em primeiro lugar, elas são ricas em nutrientes como ácido fólico, manganês, potássio e vitamina C, o que lhes confere grande valor para entrar na dieta das grávidas, dos desnutridos e dos idosos. Contêm um importante componente chamado betaína, que reduz vários tipos de inflamações no organismo e por isso se tornam um dos milagres oriundos do reino vegetal para retardar o envelhecimento. Têm fibras que já demonstraram eficiência junto aos componentes do corpo responsáveis por detectar e remover células anormais antes que se tornem cancerígenas. Seus fitonutrientes, desde há muitos anos reconhecidos como purificadores do sangue, também ajudam a limpar o fígado, um dos órgãos mais sobrecarregados do corpo, com mais de 50 funções, entre elas a remoção de excesso de hormônios e a metabolização de gordura.

Sei que se torna importante, a cada dia, observar a qualidade dos alimentos que ingerimos a fim de promovermos cardápios que sejam verdadeiramente saudáveis. No caso da beterraba, entretanto, digo que a consumo com muito gosto, em primeiro lugar por conta de sua cor. Levar à boca um pedacinho púrpura é prazeroso demais, pois afinal os olhos ativam o apetite quando o que veem é algo atraente e belo. Eu acho linda a cor da beterraba cozida e seu desenho artístico me agrada. Cortar uma beterraba crua ao meio é se dar a oportunidade de conferir o esmero da natureza na elaboração da vida vegetal. Mas respeito quem não goste e ache assustadora a cor intensa. Há crianças que se negam a comê-la especialmente por conta do tom.

Embora versátil no que se refere a ser servida crua, cozida ou assada, o prato mais conhecido e propalado onde ela entra é o borsch. O borsch é aquela sopa nascida no Leste Europeu que leva caldo de carne e creme de leite azedo, fica bonita pelo contrate do vermelho com o branco, é deliciosa, aquece bem no frio e refresca no calor- depende de ser servida quente ou fria. De resto, é mesmo nos frapês, vitaminas e saladas que a beterraba marca presença.

Para não prejudicar seu sabor incomparável, melhor que seu preparo seja simples. Mas dia desses encontrei na coluna “Prato do Dia”, assinada por Patrícia Ferraz, no caderno Paladar, do Estadão, uma receita que replicava as muito conhecidas “Batatas ao Murro” dos portugueses. Disse a jornalista que a havia retirado do livro Sete Fogos – Churrasco ao Estilo Argentino, de Francis Mallmann (V&R, 278 páginas) e, tendo-a reproduzido, achou tão bom o resultado que a levou aos leitores. Estou fazendo a mesma coisa, avisando que pode dar um pouquinho mais de trabalho, mas compensa. O resultado é realmente excelente. No livro o autor sugere acompanhamento de lâminas de alho fritas e folhas verdes. Fiquei apenas com as segundas e, em lugar do queijo de cabra, usei ricota passada pela parte grossa do ralo. Foi uma das melhores entradas que apreciei este ano.

Quer experimentar? Comece lavando bem as beterrabas, usando para tal uma escovinha. Como elas não serão descascadas, precisam ser bem higienizadas. Depois de as lavar, coloque-as numa panela grande com vinagre, azeite, grãos de pimenta, folhas de louro, sal. Cubra com água fria e deixe cozinhar por 40 minutos ou até que estejam bem macias. Teste com palito: o interior deve estar tenro. Escorra as beterrabas e transfira-as para uma assadeira. Usando a parte lisa de um martelo de cozinha, bata sobre a superfície. Não espere que elas sucumbam aos golpes como as batatas. Estas, por serem compostas de grande quantidade de amido, quase desmancham diante de pressão. As beterrabas vão apenas rachar. Cuide para que não se quebrem, a fim de obter o bonito efeito visto na foto acima. Coloque então uma chapa de ferro no fogo, aqueça bem, espalhe um pouco de azeite, deixe esquentar. Coloque as beterrabas, três de cada vez, na chapa, sem mexer com elas. E depois de três minutos vire. Deixe mais três. Você observará que a textura vai mudar. Coloque as beterrabas de volta à assadeira e repita a operação com as restantes. Leve todas as beterrabas ao forno quente até tostá-las, o que deve levar cinco minutos.

Enquanto a superfície das beterrabas é tostada, prepare o molho. Numa tigela pequena ponha as duas colheres de vinagre e vá despejando azeite aos poucos, em fio, batendo por alguns minutos com batedor de arame ou dois garfos juntos. Salgue devagar e teste. Transfira para uma molheira. Retire as beterrabas do forno e coloque-as no prato de servir. Derrame sobre elas metade do molho e deixe o restante para ir temperando aos poucos e se precisar. Arremate com folhas de alface e se delicie. É uma entrada surpreendente.

INGREDIENTES

6 beterrabas pequenas
½ xícara (chá) de vinagre de vinho branco
2 colheres (sopa) de azeite
6 grãos de pimenta-do-reino
3 folhas de louro
100 gramas de ricota esmigalhada
Folhas verdes

Molho
10 colheres de azeite
2 colheres de vinagre de vinho branco
1 colher (café) de sal grosso moído

porção: 4
dificuldade: fácil
preço: econômico

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